Branca morava em Bom Jesus do Itabapoana (assim como eu) e se mudou para o Rio de Janeiro com 15 anos para fazer o ensino médio na escola “Our Lady of Mercy”.
No texto abaixo ela fala um pouco mais sobre o seu (quase não existente) choque cultural! Mas para ler este lindo texto, é preciso dar play no vídeo abaixo! Afinal era essa música que ela ouvia quando pensava na sua mudança para a capital. De acordo com o questionário dela, este estilo musical é bem diferente do que as pessoas costumavam escutar na sua antiga cidade.
Vamos à música e ao texto:
Dizer que eu nunca me encaixei bem na cidade onde eu nasci nem começa a descrever a realidade. Desde pequena eu me sentia deslocada, tinha amigos mas eles nunca estavam exatamente na mesma sintonia que eu, nunca se interessaram pelas mesmas coisas, os mesmos livros, as mesmas músicas ou os mesmos filmes. As coisas foram piorando conforme eu crescia. Eu sempre viajei muito com meus pais e toda vez que eu voltava de uma dessas viagens eu me sentia um pouco mais fora do lugar.
Quando eu vim pro Rio tudo mudou. Se eu precisasse definir o Rio em uma sentença eu com certeza diria que o Rio é um lugar de oportunidades. A pluralidade da cidade é incrível e intensa, te puxa e te afoga (no bom sentido). Com o tempo eu fui conhecendo cada vez mais do que o Rio tem para me oferecer – e as opções nunca acabam, são realmente infinitas. E não importa o que você procure, você vai acabar achando aqui de uma maneira ou de outra.
Primeiro aprendi a viver no Rio, com todas as experiências que eu nunca tive numa cidade pequena. Depois que eu me acostumei, fui me apaixonando de verdade pela cidade e, hoje, me sinto muito mais carioca do que qualquer outra coisa. O Rio me abraçou e eu o abracei de volta.
Comecei abraçando os pontos turísticos: visitei o Cristo e o Pão de Açúcar algumas vezes, admirei o Jardim Botânico e a Vista Chinesa algumas outras vezes, me familiarizei com o Parque Lage e seus macaquinhos que roubam comida.
Depois disso, busquei uma relação mais pessoal: virei frequentadora assídua do Estação Botafogo e Estação Rio, faço ótimas compras no sebo Luzes da Cidade, frequento o baixo Botafogo religiosamente pra uma cervejinha no Rosa de Ouro (em outros tempos não largava a Fosfobox e a Casa da Matriz por nada, mas acho que cansei da agitação das boates), CCBB e Casa Daros me acolhem sempre com suas exposições, a praia do Leme e a Vila Mimosa me abraçam com suas festas de rua, o Circo Voador e a Audio Rebel me contemplam musicalmente (algo que nunca aconteceu na cidade de onde eu vim).
Não posso esquecer da relação cotidiana e um pouco mais séria que eu desenvolvi no meu antigo colégio, Our Lady of Mercy School, onde eu fiz amigos que, tenho certeza, levarei comigo pela vida; nem da minha relação (um tanto conturbada) com a PUC, onde tranquei um curso e comecei outro apenas para descobrir mais tarde que o que eu realmente queria não era nem um nem outro. Tá tudo bem agora, nos entendemos.
O Rio me trouxe pessoas e experiências que uma cidade pequena jamais poderia ter me oferecido. O Rio me ensinou muita coisa, desde ser mais atenta aos “perigos” da cidade grande até ser mais tolerante com a diversidade da mesma. O Rio me ofereceu tudo aquilo que eu passei a vida sentindo falta e não sabia exatamente o que era: diferentes experiências… oportunidades. Ao Rio, devo quase tudo.
Créditos
Músicas: “Dreas 7” por Tonality Star e “Its Not True Rufus, Dont Listen To The Hat” por This Town Needs Guns
Vídeo: “The Forest of Dean – Time-Lapse 03” por Michael Arnison