Laísa Alves

A estudante de Publicidade Laísa se mudou de Bom Jesus para Campo dos Goytacazes, quando terminou o ensino médio. Quando foi chamada pela PUC-Rio para estudar Comunicação Social, partiu para o Rio de Janeiro onde mora desde 2013. Apesar de estar acostumada com a região, nunca se identificou com o ambiente e não vê a hora de se mudar e começar os estudos em Medicina Veterinária. Obs. Quando ela fala “um amigo”, essa pessoa sou eu!

Vamos ao texto:

Eu vim para o Rio porque passei para Comunicação Social na PUC-Rio, Mas o motivo real pelo qual vim para a capital foi fugir de alguns problemas… E quanto mais longe, melhor. Morei um ano em Campos e quase fiquei por lá, já que tinha passado para Medicina Veterinária em uma federal, porém quando soube que passei para a PUC, deixei tudo para trás! Eu realmente precisava me distanciar de algumas coisas.

Eu achei lugar para morar com facilidade, e o ambiente onde vivia era muito tranquilo (considerando as histórias que ouvia de pessoas que foram morar em casa de família ou até mesmo dividindo apartamento, mas que não de certo). Dividia apartamento com outras cinco meninas, algumas ficavam no mesmo quarto, mas eu tinha o meu. Porém, como fui tirar a carteira de motorista em Bom Jesus, acabei perdendo a primeira semana de aula, não participando das confraternizações que rolam nesse período… Acabou sendo muito difícil me socializar. Fiquei um tempo sozinha, andava com os amigos de um amigo meu de Bom Jesus, mas com o tempo consegui encontrar um grupo para mim. Aprendi também que amizade é uma coisa que acontece, não adianta forçar a barra! Tive problemas com a turma deste meu amigo, e acabei me machucando muito, mas tudo passa.

No começo tinha muito medo de mudar meu caminho, era “casa – faculdade”. Uma vez estava lendo no ônibus e acabei perdendo o ponto, como era de noite, fiquei desesperada, perguntei para algumas pessoas como chegar na rua onde eu morava, ninguém me respondeu muito bem, falaram que era muito longe e foram bem grossos, tive que recorrer ao taxi, só depois eu descobri que estava pertinho do apartamento. Além disso morria de medo de pegar ônibus à noite, minha mãe fala até hoje para eu voltar de taxi, mesmo se estiver do lado de casa. Nas primeiras festas que eu fui, Aquele mesmo amigo de Bom Jesus veio me encontrar no apartamento, eu realmente não fazia ideia de como andar sozinha. Mas essa é uma concepção muito do interior, que aqui no Rio é só sair de casa que você vai ser assaltado. No final de 2014 e começo de 2015, a violência ficou realmente preocupante, mas nem tive essa sensação de insegurança. Para exemplificar como o interiorano enxerga a violência no Rio, conto uma conversa que tive com minha avó: ela me perguntou se já tinha ouvido muito tiro aqui… Como se tiroteio fosse algo comum. Olha que ela sabe que moro na Zona Sul. Em alguns bairros deve ser  realmente algo comum, pessoas do trabalho sempre comentam: “teve troca de tiros noite passada”, e por aí vai.

Eu não me adaptei bem ao estilo de vida do Rio, no começo teve muito a ver com os problemas na faculdade, mas depois não consegui me abrir muito com as meninas que dividia apartamento. Me fechei e fiquei um pouco isolada do mundo, foi difícil para mim. Não estava satisfeita com a faculdade, e acabei perdendo em algumas matérias. Deixei rolar por algum tempo, mas decidi que publicidade não era o curso que eu queria fazer. Esse semestres de aula não tinham dado certo e não faz sentido nenhum insistir. Agora eu estou mais tranquila, faço poucas matérias, tenho meu próprio ciclo de amizades, de pessoas do trabalho e algumas pessoas da PUC.

Sinto que, em alguns pontos, me adaptei bem com a cidade, por exemplo: a correria do dia a dia e especialmente as facilidades que encontramos aqui (no interior seria impossível fazer compras à 21h  do domingo). Mesmo assim pretendo sair do Rio de Janeiro no futuro. O tempo no trânsito é horrível, e está cada vez pior: para subir a rua São Clemente, eu demoro mais tempo do que levo em todo meu percurso até em casa. Sem falar na violência, que para mim é o mais preocupante. Várias vezes tive a sorte de passar logo em seguida (ou antes) de um roubo. Como meu estágio é no centro da cidade, já aconteceu de atravessar a rua e alguém sofrer um assalto. Chega um ponto que você tem medo de sair de casa, pensando se a próxima vítima será você. Eu nunca fui assaltada, e espero continuar assim.

Meus planos são mudar para uma outra capital, que seja mais segura que o Rio de Janeiro, onde os preços sejam mais baixos e onde se possa viver tranquilamente. Mas tudo que eu aprendi aqui vai ficar comigo, para o bem e para o mal.

Créditos

Músicas: “Dreas 7″ por Tonality Star

Vídeo: “The Forest of Dean – Time-Lapse 03″ por Michael Arnison

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